Muito se especulou sobre o novo disco do Radiohead, se o seu estilo seria parecido com os primeiros discos (até OK Computer) ou uma continuidade aos discos recentes. Mas para a surpresa de todos, a novidade não ficou restrita no audio. A grande sacada foi a forma de distribuição do trabalho:
Você tinha duas opções: ou você poderia baixar o primeiro disco (do álbum duplo) pagando o valor que você quiser (isso mesmo: você poderia dar duas libras, dez libras ou simplesmente nada pelo disco!), ou pagar 40 libras esterlinas (por volta de 150 reais) por um box com os dois discos, vinis (bolachões para os saudosistas), mais encartes artísticos e outros souvenirs. Isto no início pareceu um maior fiasco, porém se revelou como uma das maiores vendagens da década! Provou que para lançar um disco não precisa de intermediários que botam os preços lá no alto e desestimulam o consumo.

Como eu não sou besta, não paguei nada e consegui baixar o primeiro disco. Resolvi ouvir uns dias depois e percebi que o Radiohead resolveu misturar o que fez nos períodos pré e pós OK Computer. Preferi fazer uma análise song-by-song para construir esta resenha:
15 steps – Essa é para servir como despertador depois de uma balada “destruidora”. Só a batida forte é capaz de produzir tamanho susto!
Bodysnatchers – Imagine a cena: você, em uma discoteca, bêbado, dançando sozinho feito um louco. Imaginou? Use esta música como trilha sonora. Simples!
Nude – A primeira das “sad songs” típicas desta banda. O gemido do Thom Yorke é doloroso de se ouvir em dias ruins…
Weird Fishes / Arpeggi – Talvez esta seja a música que todos esperavam do Radiohead, tanto que ela foi escolhida a 17º melhor música do ano pela Rolling Stone. Merecido, diga-se de passagem.
All I Need – Esta, para mim, é especial. Pelo fato de que, toda vez que escuto-a, me lembro da primeira vez que ouvi algo do Radiohead: Foi a uns 5 ou 6 anos atrás quando eu fiquei encantado com a “Fake Plastic Trees”, conincidindo com um período de auto-conhecimento da noção do babaca que eu sou. Quanto a música é aquela coisa: Violão, gemidos e uma letra pensativa. Ou seja, Radiohead.
Faust Arp – Segue a tendência da música anterior, com uma sequência sufocante de versos (claramente intencional, claro).
Reckoner – Um dia, lá na Rede Globo, alguém precisava de uma música para as cenas de aventura de todos os tipos, seja para aquela cena de guerra no Quênia ou para uma velha de 44 anos com cérebro de 12 nas suas gincanas malucas e que vão agitar a garotada (você já sacaram quem é esta, não é, criançada?)! Ah, a música: Batida forte e contínua para cenas agitadas, por isso é “queridinha” da rede Bobo.
House of Cards – um desavisado ou um não-conhecedor do Radiohead ao ouvir esta faixa vai achar que é mais uma surf-music do Jack Johnson, ou seja, só aquele arranjo mais simples do que música do Legião Urbana.
Jigsaw Falling Into Place – Sabe aqula música que dá vontade de dançar de cabeça baixa “chutando o ar” feito um louco? É esta!
Videotape – Para terminar uma “sad song”. Mas é uma “soooo-fuckin-sad-song” que desmonta aquele que a ouve. Não recomendada para fins de namoro ou fracassos sócio-emocionais.
Como todo disco do Radiohead, nunca é bom você ouvir este disco com uma arma carregada por perto. É perigo na certa!
E eu deixo um presentinho para vocês: Scotch Mist, com todas as músicas do primeiro disco na íntegra!
See ya!
* e ainda não acabou, ainda tem o disco 2, mas a resenha tá perto de ficar pronta. Logo estará aqui. :beijosmeliga:

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