Dizem que o Ceará é uma terra hospitaleira, de gente festiva e calorosa… uma grande MENTIRA. Ceará é terra de gente bruta e estúpida, que só fica mansinha quando vê umas “onças” ou umas “garoupas” ou umas certas “notinhas coloridas”. Quer saber como? Dirija pelas ruas da capital e conte quantas fechadas você recebeu? Ou, se andar de ônibus, quantas esporradas e pisões (e “pinadas”, no caso das mulheres) você sofre? Ou andando a pé, neste sol de rachar, o medo que está em cada olhar, já que se uma pessoa olhar para alguém de maneira maliciosa significa que este é um tarado ou um ladrão (ou os dois, já que esse mundo pirou de vez).
Mas eis que hoje, num dia meio chuvoso, ao entrar em um ônibus (onde primordialmente o motorista e o trocador são uns filhos-da-puta por excelência), quando eu vou passar na roleta o trocador pega a minha carteira de estudante, a olha, recebe minha grana e branda suavemente:
- Bom dia, senhor Yu. Pode passar.
Minha cara de susto ficou evidente e meus olhos ficaram arregalados (ainda bem que ela não viu, por causa dos meus óculos escuros), tanto que eu não consegui responder, como o “obrigado” ficou entalado na garganta por simples desuso de tal resposta.
Me sentei e fiquei pensando: “Aquele negócio de que toda regra tem sua exceção deve ser verdade…”. Este trocador deve ser “a rosa que nasceu em um mar de espinhos”, para a minha surpresa… e admiração.


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