Eu prometi no começo do ano que eu iria fazer resenhas de filmes. Esqueçam isso. Tem gente melhor que o fará com maior maestria. Mas eu vou deixar as minhas impressôes em alguns longas-metragens que vão surgindo por aí, com o padrão “Piores do Mundo” de má qualidade.
Se você ainda não viu, pare aqui e vá assitir, por que vale muito a pena. Se já viu, clique no link abaixo e continue lendo.
Observação: O texto abaixo tem alta pressão aerodinâmica na asa traseira, Se você não viu o filme, vá logo assitir, cazzo!
Hoje assiti Wall-e, mais uma animação da parceria, já desgastada, Disney-Pixar. Mas talvez seja a primeira vez que fazem uma animação com um conteído um pouco mais adulto, quanto a questão da ecologia, do capitalismo sujo e cão, e dos sentimentos humanos (como a solidão) presente em uma máquina, algo que começa a ser visto com outros olhos no ocidente, já que no oriente isso é praticamente de praxe em qualquer “anime” que se preze.
Porém antes de falar do filme, eu tenho que falar das porcarias de sinopses que passam nos jornais. Porra, ou estes assitiram os trailers recebendo (ou fazendo, por quê não?) um boquete ou entupidos de tanta cachaça, por que estas sinopses são dístopes à realidade. Veja só:
Em um futuro pós-apocalíptico, os humanos destruiram a terra e não existem mais. Os protagonistas são os Wall-E, robôs desenhados para limpar o lixo deixado na superfície da Terra. Essas máquinas, no entanto, não deram conta da tarefa e começaram a pifar lentamente, até que apenas um robô restou. É ele o protagonista, Wall-E. O nome é na verdade a sigla para Waste Allocation Load Lifters – Earth (“Levantadores de Cargas Desnecessárias da Terra”). Todos os dias, ele executa sua rotina de catar o lixo que encontra pela frente a fim de cumprir a (impossível) tarefa de juntar todo o lixo que existe no planeta. A única ajuda que ele recebe é a de Spot, sua barata de estimação.
Vamos por partes: “Em um futuro apocalíptico, os humanos destruiram a terra e não existem mais.” Como assim não existem mais? A função dos wall-e é ligado a saída destes do planeta. E justamente eles são o alvo de uma certa lição que a Pixar deixou marcada no filme, de todos os humanos serem gordos, preguiçosos e manipulados pelo monopólio empresárial e governamental “Buy N’ Large”, e que dizem o que comer, saber e falar. Acho que alguém de lá da Pixar leu 1984 de Orwell…
Continuando: “Os protagonistas são os Wall-E, robôs desenhados para limpar o lixo deixado na superfície da Terra. Essas máquinas, no entanto, não deram conta da tarefa e começaram a pifar lentamente, até que apenas um robô restou.” Informação totalmente desnecessária, pois é algo secundário neste filme, tanto que o filme não foca nos outros wall-e, somente no protagonista.
“É ele o protagonista, Wall-E. O nome é na verdade a sigla para Waste Allocation Load Lifters – Earth (“Levantadores de Cargas Desnecessárias da Terra”). Todos os dias, ele executa sua rotina de catar o lixo que encontra pela frente a fim de cumprir a (impossível) tarefa de juntar todo o lixo que existe no planeta.” Mais coisa desnecessária. Por que não falaram da apreensão de sentimentos do wall-e, da apromação deste com a EVA e do cuidado que este tem quando ela fica em “stand-by” aguardando o resgate. Em vez disso só inforamção técnica que ninguém vai lembrar despois de assistir o filme.
“A única ajuda que ele recebe é a de Spot, sua barata de estimação.” Tá aí uma prova de que o redator desta sinopse é um estagiário desastrado. Como uma mísera barata pode ajudar em alguma coisa devido a sua peuqeneza quanto aos outros elementos do filme, tanto que esta só serve de companhia para o robô enquanto está na Terra, só reaparecendo na sequência final.
Pronto. Agora posso falar do filme.
O filme é muito simpático, gostoso de se assitir, garantia de algumas boas risadas, o que é esperado para uma animação infantil com o padrão de qualidade da Pixar. E também é um filme pra pensar em vários aspectos mais sombrios da raça humana, como a visão de um planeta sujo e abandonado, da “entrega” dos humanos a um monopólio que dita o que todos fazem, como seres acéfalos e sem sentimentos. Sentimentos que aparecem na sua pureza ironicamente em um robô, que sente solidão e um amor incondiconal pela EVA que talvez eu nem saiba mais o que seja isso. Esta é uma prova do que eu posso chamar de “adultização” das animações, pois os japoneses já provaram que animação não é coisa de criança. Os hentais que o digam.
Apesar do final clichê, é um filme interessante, de gráficos esplêndidos. Vale a pena assistir. Dar uma nota é complicado, pois não sou um cinéfilo. pelo menos é bem melhor do que assitir um filme iraniano, não acham?

0 Respostas para “wall-e”