Arquivo para Agosto, 2008

29
Ago
08

Humor negro

Escravo.

Eu não vou perder meu tempo mostrando a definição desta palavra, pois se você tem um mínimo de conhecimento da vida, deve saber do que se trata. É considerado algo pejorativo e repudiado, algo que jamais deve ser dito e jamais proferido a alguém.

Só que este idiota que vos fala acabou cometendo esta besteira. Acabei chamando uma pessoa de “escravo”, e com um agravante: esta pessoa era “negra”.

Era para ser apenas um trote para recepcionar os calouros, mas virou um sufrágio. Na hora que este ia ser “batizado” (para quem não sabe, é se ajoelhar no chão e tomar alguns segundos de cachaça direto da garrafa) acabei soltando um grito impensado de “escravo”. Outros acabaram repetindo o mesmo grito ou criando algo similar (como “olodum” ou “timbalada”), mas o escravo soou mais forte. Na hora foi só risada e alegria, tanto que o que recebeu este termo nem ligou para o que falavam e continuou na festa, bebeu alegremente e ficou extremamente “bodado” depois de tantas doses etílicas.

A história poderia ter terminado aqui, mas não foi bem assim.

No grupo eletrônico de discussão (aqueles e-mails de grupos), postou-se uma crítica, de alguém que se diz moralista, mas que na verdade é uma pessoa sectária e, por consequência disso, idiota. E foi lembrado, por outros alunos, o caso do “escravo”, dizendo quanto isso foi pejorativo. Eu, como não sou covarde, falei que fui eu que comecei isto, que pedi desculpas sinceras ao que foi “ofendido” e que este aceitou elas, dizendo ainda que aquilo não foi nada demais, que fazia parte do espírito da festa.

Mas como este mundo de merda não permite coisas simples, logo apareceram os “justiceiros”, me condenando com extrema força por algo que já havia sido diplomaticamente resolvido. Agora eu que vou ser vítima de um preconceito implícito dentro do ambiente de estudo. Vai ser foda ver todos que passarem por você querendo negar um papo, uma trovca de informaçoes ou um diálogo saudável por que eu é um racista.

Vão ser longos meses…

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Estive pensando enquanto rolava este debate, em que eu vou perder muitas coisas, sobre qual é a vantagem de ser “branco”.

Aliás, se vocês leitores repararam, lá no segundo (ou terceiro, não importa) parágrafo que eu coloquei “esta pessoa é “negra”“, este negra, entre aspas, é importante. Por que é sabido cientificamente que não existe uma raça branca ou negra, amarela ou vermelha, e sim uma raça única, a homo sapiens, que a razão da quantidade de melanina que o indivíduo tem em sua pele faça alguma diferença no seu desenvolvimento  físico e mental. Raça superior ou inferior é coisa de gente sectarista, que só quer dividir a sociedade em vez da necessidade última de unificá-la.

E ser “branco” é ser superior? Ter uma pele fraca contra as crescentes quantidades de radiação do Sol, com risco de ter um câncer de pele? Ter doenças que outra “raça” não teria? Fora que ser branquelo é ser alvo de zoação (quer exemplos? “esqueceram você na máquina de lavar?” “qual é o sabonete que você usa? vinha com cloro na composição?” “branquelo não se bronzeia, vira camarão!”)?

Enquanto isso a “raça inferior” faz o quê? Mostra de que é feito. Só ver estas últimas olimpíadas o tanto de “negros” assombrando o mundo com o seu vigor e sua força. Usain Bolt, Kobe Bryant, dentre outros… dá para dizer que eles são inferiores?

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E se tem algo pior do que o preconceito racial é o preconceito social. Não importa o que você seja, você será destratado de uma maneira silenciosa, porém dura. E é o que vou sofrer nos próximos tempos, pelo preconceito de ser culpado por um erro, mesmo que este já tenha sido sanado de maneira simples.

E antes que digam “ah, mas você não sabe o que é preconceito” te respondo com firmeza: SIM, eu já fui alvo de preconceito! Vocês sabem o que é bullying? Então procurem saber, o Google está aí para isso. Sabe o que é sofrer durante TODA a sua infância e ter sua adolescência prejudicada por causa disso???

Esta é minha defesa. Usem-a de maneira correta e igual para todos.

18
Ago
08

Post 85

RBD anuncia separação e turnê de despedida.

Agora sim o mundo vai pra frente.

Amém!

14
Ago
08

One of these days…

O ano? Era 2007, eu acho Agora lembrei, era 2006. Como houvera greve universitária meses antes as aulas se arrastavam em fevereiro, quando eram para terem terminado em novembro. Um calor filho da puta em uma sala com dois ar-condiconados, um eternamente quebrado e outro que jogava ar para o teto. E era ar quente.

Era um projeto para ser feito, nem era arquitetura. Era de urbanismo, o primeiro de uma longa série. A proposta era teoricamente simples, mas, na prática, devido aos nossos governantes sanguessugas, um idéia inexecutável. Consistia em reurbaizar uma faixa de aproximadamente oito a dez quilômetros da região de praias “nobres” de Fortaleza (se as “nobres” já estão em situação crítica, imagine as outras?).

A professora era uma excelente arquiteta (e urbanista, claro) mas uma novata como mestra. Pegou uma turma que era um barril de pólvora que logo explodiria em um ritual de discórdia e falsidade que se arrasta até hoje. Ela, coitada, resolveu dividir a turma, com uns dezessete elementos, em quatro grupos. Como eu não fazia parte de nenhuma panelinha ou grupo associado, fiquei na equipe “das sobras”, e desta equipe saiu uma das estórias que farei questão de contar para os meus filhos (se eu não me submeter a uma vasectomia antes).

Eram três companheiros de equipe: O primeiro era o Yuri, que depois desta épica passagem, se tornaria o meu braço direito e o esquerdo também, como vou explicar mais a frente. O segundo era o Danieu. Sim! DanieU, com “U” no final, como ele gosta de ser chamado. Era É o maior fanfarrão que eu já conheci, um bon-vivant, que se vangloria de ter ficado, namorado ou comido metade das meninas da faculdade, e ainda não se dá por satisfeito de não ter pego a outra metade. Adora festas e não gosta da arquitetura, ou pelo menos da parte chata dela (desenhar projetos, comprar material, etc.), limitando-se a algumas contribuições filosóficas e idealistas.

Este, pelo menos, teve a hombridade de chegar para mim e dizer que não conseguia contribuir com a equipe e que ia se retirar, sendo assim reprovado na cadeira. Este pelo menos deixou de segurar o abacaxi espinhudo que me apavorou durante cerca de um mês.

Um mês difícil de esquecer.

O nome dela era Dayana. Extremamente mal falada por todos, por ser o tipo que na internet seria facilmente chamada de “comentarista que não sabe ouvir um não”. Mas o pior eu iria descobrir durante a execução do projeto. Eu com os papéis-manteiga e esquadros na mão pronto para começar quando ela chega e pergunta:

- O que é que tem que fazer mesmo?

Sim, ela estava em uma cadeira de projeto e não sabia o que tinha que fazer! Eu expliquei que era para desenhar as ruas e tal. Mas ela retrucou:

- E aí, como eu vou fazer isso?

A cabeça vai inchando. Até uma criança sabe que um projeto de uma cidade, ou pelo menos parte dela, precisa-se desenhar as ruas, as praças, as calçadas, enfim. E ela nunca havia feito um desenho sequer!  Já havia sido reprovada na primeira cadeira de desenho várias vezes! Mas ela parecia uma garrafa de plástico bioando no rio tietê, sem saber de nada, até que solta aquela desculpa “eu vou tomar um café ali e já volto”. Vocês devem saber que quem diz isso em 90% dos casos não volta, é fato.

Depois de muitos dias e muitos “cafés”, ela não havia feito nada, diferente de mim e do Yuri, que trabalhamos feito escravos e depois de praticamente esfolarmos nossas mãos, o projeto estava pronto.

Eis que no dia da apresentação aparece Dayana com aquela carapuça loira artificial e uma cara de cínica que povoa os meus mais tenebrosos pesadelos. Todos estavam reunidos em torno das nossas pranchas , tratados como filhos recém-nascidos. Momentos antes de começar a apresentação, ela solta esta frase, o estopim de uma guerra:

- E aí, o que é que eu vou apresentar?

O sangue ferveu! Me lembro que apresentei aquela bagaça com uma voz quase gutural, me segurando para não voar no pescoço daquela puta vadia. A professora via nos meu olhos a fúria de ter que ver uma vagabunda se aproveitando da força alheia para se deliciar, e, depois de tudo, reprovou a cadela com tudo que tinha direito. Isso acalmou minha alma nórdica e coloquei a professorinha em um lugar especial no meu coração (tá, podia ser em um lugar mais “prazeroso”, mas… eu não era aquilo que ela desejava…).

Minha felicidade aumentou quando soube que ela não voltaria mais. Seriam anos de tranquilidade, e os bons ventos ainda trouxeram uma turma cheia de garotas lindas no semestre posterior. Que maravilha!

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Mas como diz a primeira lei de Murphy, “não há nada tão ruim que não possa piorar”, depois de dois anos, ELA ESTÁ DE VOLTA! E se enturmando justamente com a turma das garotas lindas (e dos caras mais sem-noção para cantadas em festas). Por isso eu lanço o meu alerta com o DIABO que está invadindo o nosso bom convívio. Destruam a ameça antes que história aí de cima se repita ou aconteça algo pior!

Volto quando eu puder para mais coisas inúteis. Bjo bjo!

10
Ago
08

Infantilidades geriátricas

Seres de meia-idade, ou “quase velhos” se preferir, são todos igauis em um ponto: na arte de encabular os mais jovens. Não podem ver um garoto e uma garota, que sejam de famílias diferentes (ou não), em um mesmo ambiente, que já começam com os “casamentos arrumados”.

O caso de hoje foi em um típico dia dos pais, em que eu, este blogueiro de merda intrépido, vai à casa de seu pai para as cordialidades em que o dia há de mostrar. Seria a programação mais simples: ir à casa, dar os parabéns ao genitor, almoçar algum prato especial com toda as boas intenções mas sem uma mínima originalidade (leia-se lasanha) e depois cair fora. Tarefa simples, não é?

Era, se não fossem os convidados. Eram apenas dois, ou melhor, duas. Era uma amiga da atual mulher de meu pai somada a sua filha. E o velho todo serelepe (gíria tão idosa quanto ele) querendo que eu me “roçasse” para cima dela:

- Mas oooooooollllllhaaaaaaaaaaaaaaa… Yu, olha que belezinha este pitéu (ai, meu pâncreas!), rapaz!

Em uma rápida olhada de dois segundos fiz uma análise: ela é tipo o que chamam de “raimunda”, não tem um rosto bonito (mas também não é um dragão chinês) mas tem um corpo curvilíneo e violeiro. O que mais se notava eram o tamanho desproporcional dos seios em relação ao corpo, tanto que ela usava aqueles sutiãs de alça larga, para gestantes. Mas o que me chamou atenção mesmo foram o número de arranhões e cicatrizes nos ombros e costas visíveis. Ao que me parece, esta garota com seus 20 e poucos anos deve ter “dado” na sua primeira vez em um muro de chapisco de cimento ou em uma cerca de arame farpado, aos berros gritando “ohhhh yes, this is jackass!”.

Enfim, voltando à linha narrativa inicial: Enquanto meu pai fica virando copo atrás de copo de cerva, eu vou me deliciar no tira-gosto. Eis que ele solta mais uma dele:

- Ei, Yu. Você não acha este filézinho (ouch!) uma delicía? Por que você não vai dar umas bitocas (too old!) nela?

Vendo o meu silêncio e minha cara toda rubra, ele completa:

- Não liga não, minha querida. Ele é só meio encabulado…

E eu começo a pensar: Quem é a criança da história? O jovem que não quer virar mais um mané, apesar que poderia pegar uma garota? Ou seria o pai que só quer exibir que seu filho é o macho pegador, que pega qualquer uma que veja pela frente, só para massager seu ego?

Ainda vai chegar o dia que ele vai ouvir umas verdades. Não sou, nunca fui e jamais serei gay, mas São Jorge também não. Eu não posso decepcionar a minha linhagem!




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  • a lua cheia tá me deixando muito furioso, por motivo nenhum. parece que o lobo que dorme em mim resolvou acordar. 1 day ago

 

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