Escravo.
Eu não vou perder meu tempo mostrando a definição desta palavra, pois se você tem um mínimo de conhecimento da vida, deve saber do que se trata. É considerado algo pejorativo e repudiado, algo que jamais deve ser dito e jamais proferido a alguém.
Só que este idiota que vos fala acabou cometendo esta besteira. Acabei chamando uma pessoa de “escravo”, e com um agravante: esta pessoa era “negra”.
Era para ser apenas um trote para recepcionar os calouros, mas virou um sufrágio. Na hora que este ia ser “batizado” (para quem não sabe, é se ajoelhar no chão e tomar alguns segundos de cachaça direto da garrafa) acabei soltando um grito impensado de “escravo”. Outros acabaram repetindo o mesmo grito ou criando algo similar (como “olodum” ou “timbalada”), mas o escravo soou mais forte. Na hora foi só risada e alegria, tanto que o que recebeu este termo nem ligou para o que falavam e continuou na festa, bebeu alegremente e ficou extremamente “bodado” depois de tantas doses etílicas.
A história poderia ter terminado aqui, mas não foi bem assim.
No grupo eletrônico de discussão (aqueles e-mails de grupos), postou-se uma crítica, de alguém que se diz moralista, mas que na verdade é uma pessoa sectária e, por consequência disso, idiota. E foi lembrado, por outros alunos, o caso do “escravo”, dizendo quanto isso foi pejorativo. Eu, como não sou covarde, falei que fui eu que comecei isto, que pedi desculpas sinceras ao que foi “ofendido” e que este aceitou elas, dizendo ainda que aquilo não foi nada demais, que fazia parte do espírito da festa.
Mas como este mundo de merda não permite coisas simples, logo apareceram os “justiceiros”, me condenando com extrema força por algo que já havia sido diplomaticamente resolvido. Agora eu que vou ser vítima de um preconceito implícito dentro do ambiente de estudo. Vai ser foda ver todos que passarem por você querendo negar um papo, uma trovca de informaçoes ou um diálogo saudável por que eu é um racista.
Vão ser longos meses…
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Estive pensando enquanto rolava este debate, em que eu vou perder muitas coisas, sobre qual é a vantagem de ser “branco”.
Aliás, se vocês leitores repararam, lá no segundo (ou terceiro, não importa) parágrafo que eu coloquei “esta pessoa é “negra”“, este negra, entre aspas, é importante. Por que é sabido cientificamente que não existe uma raça branca ou negra, amarela ou vermelha, e sim uma raça única, a homo sapiens, que a razão da quantidade de melanina que o indivíduo tem em sua pele faça alguma diferença no seu desenvolvimento físico e mental. Raça superior ou inferior é coisa de gente sectarista, que só quer dividir a sociedade em vez da necessidade última de unificá-la.
E ser “branco” é ser superior? Ter uma pele fraca contra as crescentes quantidades de radiação do Sol, com risco de ter um câncer de pele? Ter doenças que outra “raça” não teria? Fora que ser branquelo é ser alvo de zoação (quer exemplos? “esqueceram você na máquina de lavar?” “qual é o sabonete que você usa? vinha com cloro na composição?” “branquelo não se bronzeia, vira camarão!”)?
Enquanto isso a “raça inferior” faz o quê? Mostra de que é feito. Só ver estas últimas olimpíadas o tanto de “negros” assombrando o mundo com o seu vigor e sua força. Usain Bolt, Kobe Bryant, dentre outros… dá para dizer que eles são inferiores?
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E se tem algo pior do que o preconceito racial é o preconceito social. Não importa o que você seja, você será destratado de uma maneira silenciosa, porém dura. E é o que vou sofrer nos próximos tempos, pelo preconceito de ser culpado por um erro, mesmo que este já tenha sido sanado de maneira simples.
E antes que digam “ah, mas você não sabe o que é preconceito” te respondo com firmeza: SIM, eu já fui alvo de preconceito! Vocês sabem o que é bullying? Então procurem saber, o Google está aí para isso. Sabe o que é sofrer durante TODA a sua infância e ter sua adolescência prejudicada por causa disso???
Esta é minha defesa. Usem-a de maneira correta e igual para todos.
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