14
Ago
08

One of these days…

O ano? Era 2007, eu acho Agora lembrei, era 2006. Como houvera greve universitária meses antes as aulas se arrastavam em fevereiro, quando eram para terem terminado em novembro. Um calor filho da puta em uma sala com dois ar-condiconados, um eternamente quebrado e outro que jogava ar para o teto. E era ar quente.

Era um projeto para ser feito, nem era arquitetura. Era de urbanismo, o primeiro de uma longa série. A proposta era teoricamente simples, mas, na prática, devido aos nossos governantes sanguessugas, um idéia inexecutável. Consistia em reurbaizar uma faixa de aproximadamente oito a dez quilômetros da região de praias “nobres” de Fortaleza (se as “nobres” já estão em situação crítica, imagine as outras?).

A professora era uma excelente arquiteta (e urbanista, claro) mas uma novata como mestra. Pegou uma turma que era um barril de pólvora que logo explodiria em um ritual de discórdia e falsidade que se arrasta até hoje. Ela, coitada, resolveu dividir a turma, com uns dezessete elementos, em quatro grupos. Como eu não fazia parte de nenhuma panelinha ou grupo associado, fiquei na equipe “das sobras”, e desta equipe saiu uma das estórias que farei questão de contar para os meus filhos (se eu não me submeter a uma vasectomia antes).

Eram três companheiros de equipe: O primeiro era o Yuri, que depois desta épica passagem, se tornaria o meu braço direito e o esquerdo também, como vou explicar mais a frente. O segundo era o Danieu. Sim! DanieU, com “U” no final, como ele gosta de ser chamado. Era É o maior fanfarrão que eu já conheci, um bon-vivant, que se vangloria de ter ficado, namorado ou comido metade das meninas da faculdade, e ainda não se dá por satisfeito de não ter pego a outra metade. Adora festas e não gosta da arquitetura, ou pelo menos da parte chata dela (desenhar projetos, comprar material, etc.), limitando-se a algumas contribuições filosóficas e idealistas.

Este, pelo menos, teve a hombridade de chegar para mim e dizer que não conseguia contribuir com a equipe e que ia se retirar, sendo assim reprovado na cadeira. Este pelo menos deixou de segurar o abacaxi espinhudo que me apavorou durante cerca de um mês.

Um mês difícil de esquecer.

O nome dela era Dayana. Extremamente mal falada por todos, por ser o tipo que na internet seria facilmente chamada de “comentarista que não sabe ouvir um não”. Mas o pior eu iria descobrir durante a execução do projeto. Eu com os papéis-manteiga e esquadros na mão pronto para começar quando ela chega e pergunta:

- O que é que tem que fazer mesmo?

Sim, ela estava em uma cadeira de projeto e não sabia o que tinha que fazer! Eu expliquei que era para desenhar as ruas e tal. Mas ela retrucou:

- E aí, como eu vou fazer isso?

A cabeça vai inchando. Até uma criança sabe que um projeto de uma cidade, ou pelo menos parte dela, precisa-se desenhar as ruas, as praças, as calçadas, enfim. E ela nunca havia feito um desenho sequer!  Já havia sido reprovada na primeira cadeira de desenho várias vezes! Mas ela parecia uma garrafa de plástico bioando no rio tietê, sem saber de nada, até que solta aquela desculpa “eu vou tomar um café ali e já volto”. Vocês devem saber que quem diz isso em 90% dos casos não volta, é fato.

Depois de muitos dias e muitos “cafés”, ela não havia feito nada, diferente de mim e do Yuri, que trabalhamos feito escravos e depois de praticamente esfolarmos nossas mãos, o projeto estava pronto.

Eis que no dia da apresentação aparece Dayana com aquela carapuça loira artificial e uma cara de cínica que povoa os meus mais tenebrosos pesadelos. Todos estavam reunidos em torno das nossas pranchas , tratados como filhos recém-nascidos. Momentos antes de começar a apresentação, ela solta esta frase, o estopim de uma guerra:

- E aí, o que é que eu vou apresentar?

O sangue ferveu! Me lembro que apresentei aquela bagaça com uma voz quase gutural, me segurando para não voar no pescoço daquela puta vadia. A professora via nos meu olhos a fúria de ter que ver uma vagabunda se aproveitando da força alheia para se deliciar, e, depois de tudo, reprovou a cadela com tudo que tinha direito. Isso acalmou minha alma nórdica e coloquei a professorinha em um lugar especial no meu coração (tá, podia ser em um lugar mais “prazeroso”, mas… eu não era aquilo que ela desejava…).

Minha felicidade aumentou quando soube que ela não voltaria mais. Seriam anos de tranquilidade, e os bons ventos ainda trouxeram uma turma cheia de garotas lindas no semestre posterior. Que maravilha!

————————————————————————————–

Mas como diz a primeira lei de Murphy, “não há nada tão ruim que não possa piorar”, depois de dois anos, ELA ESTÁ DE VOLTA! E se enturmando justamente com a turma das garotas lindas (e dos caras mais sem-noção para cantadas em festas). Por isso eu lanço o meu alerta com o DIABO que está invadindo o nosso bom convívio. Destruam a ameça antes que história aí de cima se repita ou aconteça algo pior!

Volto quando eu puder para mais coisas inúteis. Bjo bjo!


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  • e lembre-se: esta é a última segunda-feira do ano e a próxima será a primeira do outro ano. ou seja, é tudo a mesma merda. 1 day ago
  • é a última segunda-feira do ano. mas não tenho que comemorar. ainda é uma segunda-feira. bom dia! 1 day ago
  • se o ser humano fosse realmente inteligente, procuraria recursos para acabar com a miséria no mundo, mas se contenta com "moedas verdes". 1 day ago
  • minha cama, minha cerveja, minha internet, minha cidade... minha paz. 1 day ago
  • @individuotipo os dois nem fazem idéia do que seria "twitter". 1 day ago
  • perdi seis dias da minha vida. nunca mais vou seguir os meus pais pra porra nenhuma. é serio. 1 day ago
  • http://bit.ly/1Ry0D eu voltei! (e clichê é a sua querida mãe dizendo que o peru tá bem durinho por fora) 1 day ago

 

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