13
Jul
09

Mamãe, eu sou metaleiro.

Como vocês devem saber, eu moro em uma cidade nordestina, que já dá pra tirar qual é o estilo musical mais comum. Sim, o forró… não aquele forró antigo, suave, de letras doces e, por que não dizer, comuns a realidade bruta, agressiva, mas com alguma esperança do povo sertanejo (você já ouviu Luiz Gonzaga? O que você está esperando?). O que temos hoje é um forró de letras sacanas, explícitas, com infinitos sentidos (para a putaria, claro). E ainda tem mais o pagode com axé, que só serve para “levantar a mãozinha pra cima, bater na palma da mão e reolar a bundinha”, igualmente cheio de sacanagem nas letras – procure, neste blog, por “boquete” que você vai entender o que eu digo.

E quando alguém não curte isso? Que sabe que a sua inteligência não foi feita para ir na “pata do caranguejo”, ou dar uma “lapada na rachada”. Que não aceita ver crianças que não sabe de porra nenhuma da vida fazendo a “dança do boquete”?

Bem… eu sou uma pessoa assim.

Acho que devo ter batido a cabeça quando bebê, por que eu ainda me pergunto qual a causa de desde criança eu nunca
gostei de coisas muito popualres musicalmente. Eu odiava – e odeio até hoje -  a Xuxa (assistia o programa dela só pelos
desenhos, quando ela entrava, mudava pro SBT), odiava Olodum, quando eles eram o sucesso da época, eu odiava qualquer música! Preferia o silêncio a ouvir aquelas merdas.

Mas um dia isso mudou.

Eu tinha por volta de 14 anos. Eu era um babaca ,lesado, idiota e sem noção; não queria nada na vida, só ficava estudando para agradar o ego dos meus pais e, no natal, ganhar um video-game novo (enquanto isso, milhões da minha idade já conheciam o amor e o sexo!). Me lembro que estava numa casa de praia dos meus tios, quando um primo, já bem experiente em assunto de música, botou um CD num micro-system que tava lá perto. Quando começou a tocar, eu sentia que aquela música não era “nociva” aos meus ouvidos. Aquela batida forte, a cavalgada da bateria, os arranjos de baixo e guitarra e a voz estridente começaram alimentar o meu coração frustrado pela minha situação. Era o som que alimentava e sossegava a minha raiva eternamente contida.

Então fui saber do que se tratava. “Que som legal! De quem é?” disse eu. E o meu primo retrucou: “Porra, cara. Não sabe o que é Iron Maiden?”


E ainda tinham mais dois discos para colocar. Um era do Slayer – era o “Reign in Blood”, para título de informação – e o outro… bem… é meio vergonhoso dizer, mas era o “Rebirth” do Angra. Desde então eu comecei a ouvir música com mais vontade, sendo o heavy metal o primeiro carro chefe. Eu era um chambinho* que só queria ouvir power metal e Iron Maiden adoidado.

Mas os meus pais não viam isso de uma boa forma. O que houve com aquele menino pródigo e comportado para, de uma hora para outra, ficar endoidando ouvindo esses “roques”? Minha mãe sempre ficava com cara torta quando eu ouvia um solo longo, talvez imaginando que o seu filhinho “vai virar vagabundo, ao invés de virar “dotôzinho” e “adevogar” lá no meu interior”. E a coisa piora quando você é um dos poucos que é metaleiro -  a ovelha negra, literalmente – dentro de uma família cheia de forrozeiros. Onde é quase obrigação se lançar a uma casa de show todo sábado, só pra dançar e beber uísque.

“Que porra de airo meidi, o negócio é assistir Aviões!” falavam muitos da minha gigante família. Mas eu não queria de jeito nenhum o que eles me ofereciam. Ninguém vai fazer dançar forró ou rebolar feito uma bicha louca em micareta. E quando eu quis ir para um show de metal? “Você num vai não! Só dá maconheiro lá e vão te encher de droga” dizia minha pobre mãe. Foi uma choradeira grande mas o show rolou. Era do Angra, me lembro. Era o que tinha, na época, de mais expressivo de shows do tipo…

Então essa é minha história de metaleiro, ou algo próximo disso, por que eu ainda não tinha sido batizado de fato. E que ainda não tinha conhecido tudo que gostava, que, na verdade, tinha que procurar o meu gosto em música em um tempo muito anterior ao meu nascimento, mas isso é pra outra história. E quanto aos meus pais? Ah… eles nunca engoliram isso direito. Até hoje chiam o meu estilo, apesar de uma certa conformação. “Não tem jeito mesmo, é caso perdido” devo imaginar o que eles imaginam sobre mim. Mas esta história tem outros capítulos pontuais bastante interessantes, que eu talvez irei postar neste blog.

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*chambinho: é o metaleiro novato, criado pela avó com leite com pêra e ovomaltino, que acha que Angra, Shaaaaaaman, Rhapsody e Dragonforce é o melhor metal do mundo (o que é uma grande mentira). Vem da frase “esse cara nem largou do chambinho para achar que sabe tudo de metal.”
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E hoje é o dia internacional do Rock! Já lancei minha dose diária de Iron Maiden e fui experimentar um disco do mais tradicional rock progressivo. Que saber mais causos da minha vidinha de merda? Siga-me no twitter (ou olhe na barra esquerda do blog). Como disse o pirata Alma Negra: “Que me sigam os maus!”


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  • e lembre-se: esta é a última segunda-feira do ano e a próxima será a primeira do outro ano. ou seja, é tudo a mesma merda. 1 day ago
  • é a última segunda-feira do ano. mas não tenho que comemorar. ainda é uma segunda-feira. bom dia! 1 day ago
  • se o ser humano fosse realmente inteligente, procuraria recursos para acabar com a miséria no mundo, mas se contenta com "moedas verdes". 1 day ago
  • minha cama, minha cerveja, minha internet, minha cidade... minha paz. 1 day ago
  • @individuotipo os dois nem fazem idéia do que seria "twitter". 1 day ago
  • perdi seis dias da minha vida. nunca mais vou seguir os meus pais pra porra nenhuma. é serio. 1 day ago
  • http://bit.ly/1Ry0D eu voltei! (e clichê é a sua querida mãe dizendo que o peru tá bem durinho por fora) 1 day ago

 

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