Arquivo para a categoria 'Histórias do Tio Yu'

16
Jul
09

Leite com pêra

Você, homem realizado na vida, tem um filho?

A dica é a seguinte: Faça ele brincar, mas com algo condizente a sua situação de menino, como bonecos de ação, LEGO, soltar pipa, “trepar” em árvore, escalar cerca, dar rasteira, polícia e ladrão, “o quebra” (também conhecido como “porradobol” ou “futebol kombat”), jogar bola no campinho, no meio da rua…

E se é pra jogar futebol, é também pra torcer para um time, para ir ao estádio, para deixar o moleque mandar toda a zaga do time pra puta que vos pariram sem remorso algum. E se é pra torcer, é pra torcer pra time sem frescura, já que todo tricolor se queima.

E quanto a mulher? Ah! Mostre a ele que ela é o que há de bom. Assine tudo que é revista de “mulé pelada” para ele ver, ou compre aquelas revistinhas especializadas em putaria. (Playboy só se a edição for especial, por que já nem mostra mais uma mulher, e sim um trabalho impecável de photoshop).

Muitos vão reclamar por que do teor tão machista deste post até agora. Mas isto que citei agora é o mínimo para ser feito a algum moleque para que não aconteça o que aconteceu neste causo que me lembrei, em um dos meus lapsos de memória, que vou lhes contar agora:

————————————————————————————————————————————————–

Eu estava na casa da minha avó, jogando Mario Kart 64 com um primo (aliás, jogando não. Duelando violentamente!) enquanto na mesma sala estava outros dois primos pivetes. Um era doutrinado segundo os preceitos já citados, sendo até um garoto naturalmente violento. Agora o outro…

Eles estavam desenhando. Uma hora o primeiro se levanta e pergunta:

“Hey, Junior (nome fictício). Eu desenhei uma mulher…” Era um típico desenho primário, feito de palitos, com dois círculos representando os seios e um frisado na cabeça para os cabelos longos. “… e você? O que fez?”

O baitola menino todo feliz levantou o papel e berrou:

- “Eu também desenhei uma mulher, mas a minha é melhor! Ela tem uma piroca!

O silêncio foi geral. Uma mulher com piroca? Piroca? A idéia é mais horrenda do que o verbete, e a criança só queria saber da tal “piroca” (talvez ouvida pelo grupo de mulheres anteriormente citadas) ficou latente na sau cabeça. E o pior, o desenho mostrava algo próximo da realidade – posição, tamanho, etc. – daquilo.

Depois dessa a vontade que deu foi de dar umas porradas tão bem dadas no moleque… só não fiz por que a mãe estava por perto e eu não queria merda pra mim. Mas fiquei muito na vontade por vários meses.

Pelo menos o pai dele percebeu que ele estava “fresquinho” demais e endureceu a disciplina. Hoje este garoto já não é aquele protótipo de “biba” que era antes, tá bem encaminhado. Pelo menos isso.

—————————————————————————————————————————————————-

Pois então… é bom ter cuidado senão aquele garotinho criado com leite com pêra acaba virando a vergonha da família.

E antes que você diga: eu não sou homofóbico, mas acho que esta decisão de ser ‘homo’ precisaria de uma maturidade mental. Não adianta aquele menino criado feito menina virar um hetero, para contrariar-se e ficar em dúvidas consigo mesmo. Se quiser ser gay, que seja por conta própria e não por criação.

13
Jul
09

Mamãe, eu sou metaleiro.

Como vocês devem saber, eu moro em uma cidade nordestina, que já dá pra tirar qual é o estilo musical mais comum. Sim, o forró… não aquele forró antigo, suave, de letras doces e, por que não dizer, comuns a realidade bruta, agressiva, mas com alguma esperança do povo sertanejo (você já ouviu Luiz Gonzaga? O que você está esperando?). O que temos hoje é um forró de letras sacanas, explícitas, com infinitos sentidos (para a putaria, claro). E ainda tem mais o pagode com axé, que só serve para “levantar a mãozinha pra cima, bater na palma da mão e reolar a bundinha”, igualmente cheio de sacanagem nas letras – procure, neste blog, por “boquete” que você vai entender o que eu digo.

E quando alguém não curte isso? Que sabe que a sua inteligência não foi feita para ir na “pata do caranguejo”, ou dar uma “lapada na rachada”. Que não aceita ver crianças que não sabe de porra nenhuma da vida fazendo a “dança do boquete”?

Bem… eu sou uma pessoa assim.

Acho que devo ter batido a cabeça quando bebê, por que eu ainda me pergunto qual a causa de desde criança eu nunca
gostei de coisas muito popualres musicalmente. Eu odiava – e odeio até hoje -  a Xuxa (assistia o programa dela só pelos
desenhos, quando ela entrava, mudava pro SBT), odiava Olodum, quando eles eram o sucesso da época, eu odiava qualquer música! Preferia o silêncio a ouvir aquelas merdas.

Mas um dia isso mudou.

Eu tinha por volta de 14 anos. Eu era um babaca ,lesado, idiota e sem noção; não queria nada na vida, só ficava estudando para agradar o ego dos meus pais e, no natal, ganhar um video-game novo (enquanto isso, milhões da minha idade já conheciam o amor e o sexo!). Me lembro que estava numa casa de praia dos meus tios, quando um primo, já bem experiente em assunto de música, botou um CD num micro-system que tava lá perto. Quando começou a tocar, eu sentia que aquela música não era “nociva” aos meus ouvidos. Aquela batida forte, a cavalgada da bateria, os arranjos de baixo e guitarra e a voz estridente começaram alimentar o meu coração frustrado pela minha situação. Era o som que alimentava e sossegava a minha raiva eternamente contida.

Então fui saber do que se tratava. “Que som legal! De quem é?” disse eu. E o meu primo retrucou: “Porra, cara. Não sabe o que é Iron Maiden?”


E ainda tinham mais dois discos para colocar. Um era do Slayer – era o “Reign in Blood”, para título de informação – e o outro… bem… é meio vergonhoso dizer, mas era o “Rebirth” do Angra. Desde então eu comecei a ouvir música com mais vontade, sendo o heavy metal o primeiro carro chefe. Eu era um chambinho* que só queria ouvir power metal e Iron Maiden adoidado.

Mas os meus pais não viam isso de uma boa forma. O que houve com aquele menino pródigo e comportado para, de uma hora para outra, ficar endoidando ouvindo esses “roques”? Minha mãe sempre ficava com cara torta quando eu ouvia um solo longo, talvez imaginando que o seu filhinho “vai virar vagabundo, ao invés de virar “dotôzinho” e “adevogar” lá no meu interior”. E a coisa piora quando você é um dos poucos que é metaleiro -  a ovelha negra, literalmente – dentro de uma família cheia de forrozeiros. Onde é quase obrigação se lançar a uma casa de show todo sábado, só pra dançar e beber uísque.

“Que porra de airo meidi, o negócio é assistir Aviões!” falavam muitos da minha gigante família. Mas eu não queria de jeito nenhum o que eles me ofereciam. Ninguém vai fazer dançar forró ou rebolar feito uma bicha louca em micareta. E quando eu quis ir para um show de metal? “Você num vai não! Só dá maconheiro lá e vão te encher de droga” dizia minha pobre mãe. Foi uma choradeira grande mas o show rolou. Era do Angra, me lembro. Era o que tinha, na época, de mais expressivo de shows do tipo…

Então essa é minha história de metaleiro, ou algo próximo disso, por que eu ainda não tinha sido batizado de fato. E que ainda não tinha conhecido tudo que gostava, que, na verdade, tinha que procurar o meu gosto em música em um tempo muito anterior ao meu nascimento, mas isso é pra outra história. E quanto aos meus pais? Ah… eles nunca engoliram isso direito. Até hoje chiam o meu estilo, apesar de uma certa conformação. “Não tem jeito mesmo, é caso perdido” devo imaginar o que eles imaginam sobre mim. Mas esta história tem outros capítulos pontuais bastante interessantes, que eu talvez irei postar neste blog.

————————————————————————————————————————

*chambinho: é o metaleiro novato, criado pela avó com leite com pêra e ovomaltino, que acha que Angra, Shaaaaaaman, Rhapsody e Dragonforce é o melhor metal do mundo (o que é uma grande mentira). Vem da frase “esse cara nem largou do chambinho para achar que sabe tudo de metal.”
————————————————————————————————————————-

E hoje é o dia internacional do Rock! Já lancei minha dose diária de Iron Maiden e fui experimentar um disco do mais tradicional rock progressivo. Que saber mais causos da minha vidinha de merda? Siga-me no twitter (ou olhe na barra esquerda do blog). Como disse o pirata Alma Negra: “Que me sigam os maus!”

14
Ago
08

One of these days…

O ano? Era 2007, eu acho Agora lembrei, era 2006. Como houvera greve universitária meses antes as aulas se arrastavam em fevereiro, quando eram para terem terminado em novembro. Um calor filho da puta em uma sala com dois ar-condiconados, um eternamente quebrado e outro que jogava ar para o teto. E era ar quente.

Era um projeto para ser feito, nem era arquitetura. Era de urbanismo, o primeiro de uma longa série. A proposta era teoricamente simples, mas, na prática, devido aos nossos governantes sanguessugas, um idéia inexecutável. Consistia em reurbaizar uma faixa de aproximadamente oito a dez quilômetros da região de praias “nobres” de Fortaleza (se as “nobres” já estão em situação crítica, imagine as outras?).

A professora era uma excelente arquiteta (e urbanista, claro) mas uma novata como mestra. Pegou uma turma que era um barril de pólvora que logo explodiria em um ritual de discórdia e falsidade que se arrasta até hoje. Ela, coitada, resolveu dividir a turma, com uns dezessete elementos, em quatro grupos. Como eu não fazia parte de nenhuma panelinha ou grupo associado, fiquei na equipe “das sobras”, e desta equipe saiu uma das estórias que farei questão de contar para os meus filhos (se eu não me submeter a uma vasectomia antes).

Eram três companheiros de equipe: O primeiro era o Yuri, que depois desta épica passagem, se tornaria o meu braço direito e o esquerdo também, como vou explicar mais a frente. O segundo era o Danieu. Sim! DanieU, com “U” no final, como ele gosta de ser chamado. Era É o maior fanfarrão que eu já conheci, um bon-vivant, que se vangloria de ter ficado, namorado ou comido metade das meninas da faculdade, e ainda não se dá por satisfeito de não ter pego a outra metade. Adora festas e não gosta da arquitetura, ou pelo menos da parte chata dela (desenhar projetos, comprar material, etc.), limitando-se a algumas contribuições filosóficas e idealistas.

Este, pelo menos, teve a hombridade de chegar para mim e dizer que não conseguia contribuir com a equipe e que ia se retirar, sendo assim reprovado na cadeira. Este pelo menos deixou de segurar o abacaxi espinhudo que me apavorou durante cerca de um mês.

Um mês difícil de esquecer.

O nome dela era Dayana. Extremamente mal falada por todos, por ser o tipo que na internet seria facilmente chamada de “comentarista que não sabe ouvir um não”. Mas o pior eu iria descobrir durante a execução do projeto. Eu com os papéis-manteiga e esquadros na mão pronto para começar quando ela chega e pergunta:

- O que é que tem que fazer mesmo?

Sim, ela estava em uma cadeira de projeto e não sabia o que tinha que fazer! Eu expliquei que era para desenhar as ruas e tal. Mas ela retrucou:

- E aí, como eu vou fazer isso?

A cabeça vai inchando. Até uma criança sabe que um projeto de uma cidade, ou pelo menos parte dela, precisa-se desenhar as ruas, as praças, as calçadas, enfim. E ela nunca havia feito um desenho sequer!  Já havia sido reprovada na primeira cadeira de desenho várias vezes! Mas ela parecia uma garrafa de plástico bioando no rio tietê, sem saber de nada, até que solta aquela desculpa “eu vou tomar um café ali e já volto”. Vocês devem saber que quem diz isso em 90% dos casos não volta, é fato.

Depois de muitos dias e muitos “cafés”, ela não havia feito nada, diferente de mim e do Yuri, que trabalhamos feito escravos e depois de praticamente esfolarmos nossas mãos, o projeto estava pronto.

Eis que no dia da apresentação aparece Dayana com aquela carapuça loira artificial e uma cara de cínica que povoa os meus mais tenebrosos pesadelos. Todos estavam reunidos em torno das nossas pranchas , tratados como filhos recém-nascidos. Momentos antes de começar a apresentação, ela solta esta frase, o estopim de uma guerra:

- E aí, o que é que eu vou apresentar?

O sangue ferveu! Me lembro que apresentei aquela bagaça com uma voz quase gutural, me segurando para não voar no pescoço daquela puta vadia. A professora via nos meu olhos a fúria de ter que ver uma vagabunda se aproveitando da força alheia para se deliciar, e, depois de tudo, reprovou a cadela com tudo que tinha direito. Isso acalmou minha alma nórdica e coloquei a professorinha em um lugar especial no meu coração (tá, podia ser em um lugar mais “prazeroso”, mas… eu não era aquilo que ela desejava…).

Minha felicidade aumentou quando soube que ela não voltaria mais. Seriam anos de tranquilidade, e os bons ventos ainda trouxeram uma turma cheia de garotas lindas no semestre posterior. Que maravilha!

————————————————————————————–

Mas como diz a primeira lei de Murphy, “não há nada tão ruim que não possa piorar”, depois de dois anos, ELA ESTÁ DE VOLTA! E se enturmando justamente com a turma das garotas lindas (e dos caras mais sem-noção para cantadas em festas). Por isso eu lanço o meu alerta com o DIABO que está invadindo o nosso bom convívio. Destruam a ameça antes que história aí de cima se repita ou aconteça algo pior!

Volto quando eu puder para mais coisas inúteis. Bjo bjo!




twitter

  • alguém ligou o modo "tostar" do sol hoje, por que hoje o calor tá de foder aqui. 2 hours ago
  • diálogo do dia: "mas ela num é muito pequena pra você?" "nah... o importante que eu me caiba nela." 4 hours ago
  • casamento = síndrome de estocolmo (google it!). e ainda tem quem diga que a bebida e o sexo descompromissado fazem mal. 7 hours ago
  • http://bit.ly/2pGuw9 não parece, mas esta noticia me fez abrir um sorriso no café da manhã. 7 hours ago
  • @individuotipo pare de reclamar da vida, rapaz. você tem mais seguidores do que eu. pense nisso! 17 hours ago
  • e a academia onde malhava simplesmente fechou suas portas. adeus, meninas gostosas de roupa de ginástica colada... =/ 20 hours ago
  • a lua cheia tá me deixando muito furioso, por motivo nenhum. parece que o lobo que dorme em mim resolvou acordar. 1 day ago

 

Novembro 2009
D S T Q Q S S
« Out    
1234567
891011121314
15161718192021
22232425262728
2930  

Velharias

Categorias

Estatísticas mentirosas

  • 12,839 cabeçadas na parede