Todo mundo aqui tá cansado de saber qual é a minha preferência musical e das coisas que ela implica. E apenas o fato de gostar de um tipo de música me garante, de maneira pejorativa, ou não, a alcunha de “metaleiro”. E isto se complica por que os metaleiros são minoria em uma terra que o mais importante ir pro forró ou pra micareta, beber até cair – e depois levantar - e ir, mais tarde, para o ‘vuco-vuco’, também conhecida como ‘trepada em motel barato’. Mas quando há, em algum momento, pelo motivo mais variado, uma união de seres de facções diferentes, de sub-culturas diferentes?
O título deste post diz tudo: “Quando dois mundos se colidem” (When two worlds collide, uma música do Iron Maiden – do pior disco deles, mas é do Iron) ilustram bem uma situação que estou vivendo nos últimos tempos. Sou um exemplo de um mundo dito por tantos como “negro”, os dos metaleiros, que, segundo os mais retardados ortodoxos, ficam doidos de tanto “banguear” a cabeça, cantam músicas satânicas e sacrificam meninas virgens jogando RPG. O que é uma grande mentira, já que eu não faço nada disso – exceto a parte de headbang, por que às vezes me dá uma puta tontura – nem sou um black-metal norueguês que queima igrejas. Eu me visto com roupas normais, apesar que o preto é uma preferência mas tenho outras cores disponíveis, escuto outros tipos de música – erudita, pop-rock, até umas de dance são tragáveis – e frequento locais considerados “celeiros de acéfalos”, também conhecidos como academias de ginástica. E nem fumo e nem uso drogas, como muitos acham ou desconfiam.
Não estou interessado em comprar o abadá da Ivete ou do Chiclete, ou o décimo-quinto show do ano do Aviões. “Mas vai ser em cima de um disco voador…”. Fodam-se todos eles! Prefiro pegar meu dinheiro e “investir” em cerveja e, quando há oportunidade, para ir aquele show único do caralho (como o do Iron Maiden, que ainda irei contar aqui). E ter que sobreviver em um mundo dominado pelas fezes musicais, dominadas por rádios que só querem mais audiência com menos conteúdo, era uma tarefa árdua. Ou você acha que era fácil andar de ônibus e na rádio tocar “na boquinha da garrafa” a todo volume? E ter que suportar a burrice dos ouvintes ao responder questões idiotas tipo:
… valendo uma batedeira, um ferro de passar roupa, um celular pré-pago da ALÔ, uma cafeteira e um vibrador king motumbo size, todos oferecidos pela loja Pintinho do Costinha, onde toda venda é uma piada, pergunta:
Quem descobriu a América? Foi Cristóvão Co…
A) Maminha
B) Acém
C) Filé
D) Lombo
E) Alcatra“… é… seu moço… eu tô na dúvida entre a cê e a dê, moço…”
É muito escroto isso, não acham? Ainda bem que criaram os mp3 players e iPods da vida, uma salvação mental de um pouco mais de 50 gramas.
Mas o que vem ao caso é quando há um interesse em uma outra pessoa. Interesse sexual, já que o amor é um prenúncio de um desejo vestigial, do macho pela fêmea, pela vontade ancestral que você carrega em seus cromossomos de “comer” alguém. Eu, por exemplo, não sou o seletivo na hora de escolher uma garota para desejar (a não ser que a opção dela por algo seja extremamente escancarado, tipo emos ou cristãos ortodoxos loucos) e, como já disse anteriormente, o “mercado” tá com a balança mais cheia para o lado das que curtem as putarias das casas de forró e axé. Eu estou com este dilema por que no meu convívio pessoal tenho alguns casos de pessoas que vivem mundos opostos, mas que se gostam quando estão em estado neutro.
Às vezes há uma certa passividade, como conhecer o território inimigo (aliás, me lembrem de contar sobre a vez que fui para um show de forró), ouvir algumas coisas – como se não as ouvisse passivamente – e se “enturmar com a galera descolada”. Mas para mim é como estar em um local que não me faz sentir conforto, como não estar com os meus.
E a dificuldade de manter um relacionamento se estabelece, o casal se separa e se afasta, já que os dois não se entendem – a não ser que aquele sentimento cruel chamado “amor” apareça, pregue uma peça nas mentes do casal,e eles se juntem do jeito que der. É isto que eu sinto agora, sentado em frente a um computador comendo biscoito, enquanto as gatinhas (algumas que leem este blog) estão no forrozão, ou na micareta, lugar que tenho asco de ir. Promover o amor em pessoas diferentes, de mundos diferentes, é tão complicado quanto resolver a paz entre árabes e judeus.
Que merda, né?



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